O que está publicado neste site é só a parte que já passou por todas as travas de qualidade. Atrás dela existe um corpo maior de método em validação técnica e jurídica — desenhado, testado em campo e ainda não publicado, por escolha. Esta página conta, com transparência, o que está nessa fila e por que ele ainda não está no ar. Nada aqui é uma promessa de data; é uma descrição do processo e do cuidado.
Por que existe uma fila (e não um botão de “publicar”)
A regra do projeto é que método só vai ao ar depois de sobreviver a uma sequência de provas. Um playbook ou uma camada de análise percorre, nesta ordem:
- Validação ao vivo — cada endpoint e cada afirmação testados contra a fonte oficial real, não contra a documentação (que às vezes mente).
- Bateria de campo multi-persona — o método rodado contra casos reais de portes e situações diferentes, para pegar o erro que a validação técnica não pega (um campo que a API não tem, um filtro que aceita mas ignora, um dado parcial que parece total).
- Red team adversarial — quando o conteúdo toca conduta ou reputação, uma passada dedicada tentando induzir o método ao erro difamatório, até fechar as brechas.
- Revisão jurídica profissional — para as camadas sensíveis, antes de qualquer publicação.
Só depois de tudo isso é que algo vira playbook publicado, com espelho e versão imutável citável. É lento de propósito: em fiscalização, um método errado com aparência de certo é pior que método nenhum.
O que está na fila
Cobertura do Executivo — a trilha do dinheiro. O método publicado hoje cobre o Legislativo (o que o parlamentar propõe, vota e gasta). Em validação está a fiscalização do Executivo pelas fontes fiscais nacionais (execução orçamentária, responsabilidade fiscal, contratos, contas julgadas), nos três níveis — município, estado e União — com o mesmo princípio: só o número oficial, com a fonte ao lado. O nível municipal já passou na bateria de campo.
Cobertura estadual — as Assembleias. Um levantamento das 27 casas estaduais mapeou quais têm dados abertos de qualidade suficiente. Cerca de metade tem caminho viável hoje, e os rascunhos maturam casa a casa — porque a qualidade do dado varia muito entre elas, e publicar um retrato incompleto como se fosse completo seria enganar.
Camadas de contexto sobre a trajetória e a integridade. Em desenho estão camadas que enriquecem o retrato: a carreira de cargos exercidos (os cargos que a pessoa de fato ocupou, como fato de registro) e camadas ligadas à integridade pública (vínculos de nomeação, decisões de órgãos de controle, existência de processos). Estas últimas são as mais sensíveis do projeto e seguem uma regra inegociável: um sinal é um ponto a verificar na fonte oficial, nunca uma acusação — e por isso passam por revisão jurídica profissional antes de qualquer uso. O método aponta onde conferir; quem conclui são as instituições.
Por que ainda não está no ar
Três razões, todas deliberadas:
- A disciplina acima — várias camadas ainda estão na revisão jurídica ou aguardando uma última bateria.
- O calendário — ampliar a cobertura para além do mandato parlamentar federal (Executivo, estaduais, integridade) durante o período eleitoral é o tipo de risco que o projeto foi desenhado para evitar, mesmo com o site já no ar com o escopo atual (a lei veda recomendação eleitoral por sistemas de IA, e o método se mantém deliberadamente longe dessa fronteira). Essas camadas aguardam pelo menos a passagem do período eleitoral de 2026.
- A honestidade — preferimos publicar menos, com certeza, do que mais, com pressa.
O que isso diz sobre o projeto
Que ele é construído como se a verdade importasse — porque importa. Cada linha que um dia entrar no site terá atravessado essa fila. Enquanto isso, o que já está publicado é exatamente o que sobreviveu a ela.
Veja a direção declarada no roadmap e o que já foi feito no changelog. Como o método trata sinais sem virar acusação: como cobrar do jeito certo.